terça-feira, 29 de outubro de 2013

Participação de Amigos - Luisa Lima

Minha correria com o ENEM acabou, então cá estou com uma postagem nova. O texto dessa vez é da Luisa Lima e só o que vou dizer é: meus. Deuses. (oi, semideuses! ^-^) Quaisquer outras opiniões, deixo por conta de vocês! 

Apenas desenhos
Já estava sem motivos para fugir.
Eu sentava em um canto, quieta, imersa em meus desenhos, esquecendo de tudo à minha volta. Era uma boa maneira de passar despercebida por quem quer que viesse falar comigo, poucas pessoas reparavam em um canto com sombra abaixo de uma árvore com o cheiro de assados da cantina.
Parte de mim queria ouvir aquela voz, mas eu sabia que não adiantaria nada. De que adianta falar com ele, se ele não enxerga nem um palmo à frente do nariz? Podia ser meu melhor amigo, mas havia uma parte de mim que ele nem fazia ideia que existisse, e essa parte se apoderava do resto do mesmo jeito que as orquídeas cresciam nos galhos daquela árvore. E ele lá, sem saber da existência daquela delicada flor em mim.
— Do jeito que é branca, ninguém vai te ver encostada nessa parede.
Lá vinha aquela voz.  Um calor se apoderava de minha face, mas eu respirei fundo.
— Então como me achou? Que eu me lembre, tomei banho hoje, não devia me farejar.
— Ui, que garota brava. Relaxa, só ia até a cantina.
— Então se apresse, antes que a torta de frango acabe.
— Como sabia que eu ia pedir isso?
— Você só come isso... Vai lá, antes que eu adivinhe seu café da manhã também.
Bom, pelo menos ele seguiu o estômago dele e saiu. Se o Pedro vir esses desenhos, já vai começar a me perguntar mil coisas, e eu não quero falar no que me inspirei. Na verdade, eu nunca falo; isso não importa.  Agora eu estava em paz de novo, podia desenhar.  Alguns traços não estão bons, o sombreado está fraco... Quem sabe escutar algumas músicas me motiva a terminar.
Eu estava quase terminando, tinha esquecido do resto do mundo e já estava cantando em uma voz não tão baixa a música que escutava. Subi os olhos para ver se alguém vinha com uma camisa de força achando que eu era louca quando me deparei com aqueles olhos castanhos me observando. Ah não, não era eu, era o desenho que ele observava.
—Pedro, caramba, dá pra não me assustar?
— Desculpa, se não tivesse visto seu desenho teria passado achando que não tinha nada aqui.
Ele se sentou, pegou meu fone e encarou a folha.
— Essa música é bonita.
— Fala isso porque foi você que me mostrou.
— Claro, por isso é bonita. — ele apontou para o desenho — E esse cara tem o cabelo grande demais.
— Ele tinha o cabelo assim quando o conheci. Disfarçava as orelhas.
— Mas ninguém falava com ele.
— Eu não sou ninguém? Sem piadinhas sobre minha transparência.
— Você não é ninguém, é alguém. Alguém muito tímida que o garoto deve ficar procurando por aí, embaixo de árvores.
— Pra quê? As minhas amigas não ficam escondidas, ele podia ir lá falar com elas.
— Talvez ele não queira.
Sem me deixar responder, começou a cantar a música do fone. Cantava baixo, sua voz era grave e eu começava a ficar mais vermelha.
— ...Eu vejo as suas cores no seu olho tão de perto, me balanço devagar, como quando você me embala, o ritmo rola fácil, parece que foi ensaiado, e eu acho que gosto mesmo de você, bem do jeito que você é...
— Por que tá me deixando vermelha?
— Porque é legal.
— Caramba, dá pra parar? Você vem aqui, me atrapalha, fica bisbilhotando meu desenho, tira meu fone, fica me provocando, que tipo de amigo você é que não quer me deixar em paz?
— O tipo de amigo que não quer ser mais só amigo.
Acho que não preciso dizer que fiquei sem fala. Seus olhos fitavam os meus, ele colocou uma das mãos em minha nuca. A partir daí não vi mais nada, só senti seus lábios quentes, uma vontade reprimida de abraçá-lo se manifestou, e o caderno de desenhos caiu no chão.
Ali havia o desenho de um casal de jovens, sentados à sombra de uma árvore.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Participação de Amigos - Silas Castro 2

Sim, DOIS. rs E vocês podem esperar por mais participações. Já tenho algumas encaminhadas ;)

O Lixo e as Rosas
Eu estava voltando para casa, mal aguentando manter os olhos abertos e o peso do meu corpo sobre minhas pernas. Virei a esquina em direção ao ponto de ônibus e sem querer esbarrei na caçamba de lixo.
Então ouvi um barulho de algo caindo, era um buquê. Abaixei-me para pegá-lo, só para manter a calçada limpa para em seguida continuar meu trajeto, mas... As rosas eram frescas, não pude deixar de notar. O celofane tinha sido cuidadosamente arrumado. Só faltava o cartão, que provavelmente ainda estava no lixo.
Lembrei-me do buquê que entreguei para minha namorada um mês antes. Imaginei-me no lugar da pessoa que tinha comprado aquele para alguém de quem gostava. A sensação não foi nada boa.
O que levaria uma pessoa a descartar algo tão bonito? Talvez um pedido de namoro recusado... A descoberta de uma traição... A cena começou a se passar diante dos meus olhos.
Um rapaz vinha com as flores na mão pela mesma rua na qual eu havia passado. Também parou ao lado da caçamba, olhou para frente e viu a fachada da casa onde iria entregar seu presente, porém antes de dar seu primeiro passo a porta se abriu saindo sua amada e para sua surpresa um homem junto com ela ambos de mãos dadas. Antes de partir a mulher segurou o braço do amante e puxou para darem um beijo, fazendo os ombros do rapaz das flores caírem em desânimo. A moça despachou o homem para o carro e voltou para dentro enquanto o automóvel arrancava. As rosas não passaram daquele ponto.
Não. Muito trágico. Prefiro acreditar que quem recebeu o buquê era alérgico a pólen. Ou que era um sinal de um término amigável. Possibilidades ínfimas, porém mais alegres.
Meu ônibus chegou. Devolvi as rosas para o triste lugar em que estavam e corri para o ponto. Afinal, eram só flores no lixo, nada importante.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Segredos, Conflitos e Amor - Cap. 37

            — Você sabia! E ainda assim não me falou nada! Que belo amigo eu tenho, hein?
            — Obrigado pela parte que me toca.
            — Ha, engraçadinho. Ta, que a letra era dela você sabia, mas você também sabe do que ela estava falando? Ela parecia um pouco desesperada.
            Ainda com cara de culpa no cartório, Sasha abriu a boca, mas nenhum som saiu.
            — Ok, você sabe, agora fala, eu suplico.
            — Por que você não pergunta direto pra Maria? Não é mais fácil?
            — Não, não é. Se ela não comentou comigo quando aconteceu, porque falaria agora? E eu fiquei meio preocupada depois de ler aquilo. Sasha, por favor…
            Ele respirou fundo e bufou. Ele queria contar, mas ao mesmo tempo isso parecia muito errado. Se Maria não tinha comentado nada era porque não queria que Calina soubesse. Mas se as duas eram melhores amigas…
            — Ta, eu conto, mas confio na sua capacidade de guardar segredos. Vem cá.
            Os dois foram para a cantina, vazia àquela hora.
            —Você já reparou que a Maria sempre usa o relógio no braço esquerdo e durante a Educação Física ela coloca uma munhequeira ou amarra um lenço no mesmo lugar?
            — Já, mas o que isso tem a ver com o diário?
            — Jura que você nunca se perguntou por que ela faz isso?
            — Sempre achei que fosse só porque ela gosta.

            Ele respirou fundo antes de continuar.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Tão Mais Fácil...

Sabia que poderia te encontrar a qualquer hora andando por ali. Normal. Aquele seu sorriso Trident, que sempre me matou de inveja. Branquinho, retinho e... meio psicopata. Bem como eu. Prova de que, apesar de não sermos chaveiros com ímã, tínhamos motivos para ser atraídos um pelo outro. Mas não deu. Fazer o quê?
Nada.
Já de longe eu te vi, rindo, risada escandalosa, piadas de gosto bem duvidoso. Seus amigos te olhando de esguelha e desconhecidos fugindo com medo de serem contagiados por sua doença. Foi aí que não aguentei e ri também. Péssima escolha.
Tentei ser discreta, mas você sabe que isso nunca foi meu forte. Bastou levantar o olhar para perceber que uma das meninas andando com vocês tinha percebido o meu divertimento e apontava em minha direção, também sem nenhuma vergonha pela falta de classe do seu ato. Você inclinou a cabeça para perto dela e logo em seguida olhou para mim.
Fez uma careta, sorrindo, e se aproximou. Quantos minutos de silêncio? Um? Cinco? Sei lá, acho que não importa... sabemos perfeitamente que estávamos pensando a mesma coisa: cadê aquela amizade que queríamos manter? Cadê a saudade do começo? Onde está a tristeza do fim? Talvez tenha ido embora, simples assim, sem nenhuma explicação complexa sobre "fins".
- Eu já disse que você precisa parar de ser escandalosa.
- E você, de ser doente.
- Minhas namoradas é que precisam de uma dose extra de juízo... Tenho... que voltar. Até New York?
- Até.
Tão mais fácil assim. Sem mágoa. Só boas memórias. E ótimas piadas internas para sempre.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Segredos, Conflitos e Amor - Cap. 36

Meu povo, voltei! E agora com duas mãos ^-^ posso voltar a digitar rs Sim, faz tempo que não posto a série, mas aqui vai ela:

            Era informação demais para processar em menos de meia hora, e Maria não sabia por onde poderia começar a arrumar aquela bagunça no seu cérebro e no seu coração, que acelerava cada vez mais. Uma pergunta martelava na sua cabeça: se Calina estava certa com relação a Rafael, será que também estava certa quando falou de Sasha?
            Já em casa, depois da confusão com Maria e Alice, Calina decidiu ler um pouco do livro que ganhou no dia anterior. Assim que o abriu, seus olhos foram direto para o bilhetinho azul, que finalmente fez uma luz se acender em sua cabeça. Ela correu até a sala, abriu a mochila e jogou tudo o que estava dentro no chão. Revirou cadernos, o estojo, os livros e enfim achou, dobrado dentro de um dos bolsos, o pedaço de página de diário. Ela voltou ao quarto e colocou lado a lado os dois papeizinhos. Finalmente descobriu de quem era a letra: Maria. Já fazia tempo que não escrevia daquele jeito, pois dizia que podia ter uma caligrafia melhor, e Calina não reparava muito nisso também, por isso demorou tanto para descobrir. O problema então virou saber sobre o que Maria estava falando, sobre o que ficou tão preocupada a ponto de nem contar para a amiga. Ao invés de conversar com ela, decidiu falar com Sasha, mas só no dia seguinte.
            Para ter certeza de que conversaria com ele, Calina puxou o amigo para uma conversa 20 minutos antes de as aulas começarem.
            — Que desespero é esse?
            — Não é desespero, é curiosidade. Você se lembra daquele papel que te mostrei há um tempo e você achou que a letra fosse da Alice?
            — Lembro, mas e daí?
            — Descobri de quem é a letra. Da Maria.
            Sasha mordeu os lábios e olhou para os lados, com uma cara de culpa.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Participação de Amigos - Silas Castro

Eu volteeeiii! rs Pessoas, me perdoem, mas, como já comentei, dedos quebrados são muito piores do que parecem. O texto de hoje não é meu, foi escrito pelo Silas Castro, meu amigo e admin da página do blog no Facebook. Estou devendo esta postagem a ele há muito tempo, então resolvi criar vergonha na cara e honrar minha promessa. Aproveitem aí porque tá muito bom!

Uma vez li um texto que dizia: “Vida: doença sexualmente transmissível que gera um ser que crescera, aprendera, amara, sofrera e acabara morto”; isso me fez refletir.
Crescer, aprender, amar, sofrer e morrer são situações que ocorrem querendo ou não. Quando criança, sempre quis crescer para ganhar um pouco mais de independência no mundo dos “gigantes”, lembro até hoje o quanto fiquei feliz quando abri o chuveiro sozinho (a válvula ficava a mais de um metro e meio de altura). Alguns têm problemas quando só crescem para o lado, porém ser magro sempre foi meu forte.
Aprender também me fez ganhar mais liberdade de expressão. Comecei a entender o que estava ocorrendo ao meu redor e a ter opinião quanto a isso, definindo o que gostava e não gostava, o certo e errado etc. A “evolução” do gostar é amar e no meu caso o meu primeiro amor foi bem platônico (aquele clássico menino tímido e garota popular) e eu sofri bastante. Para falar a verdade, sofri porque queria, pois no fundo sabia que aquilo era impossível e infelizmente essa não foi a única vez que isso ocorreu.
A amizade na adolescência gera grandes confusões e conflitos com o amor, dando frio na barriga e um grande medo de cometer uma burrada ao ver aquela pessoa que sempre foi legal, porém agora era algo a mais. Mesmo quando encontramos a pessoa certa, as coisas não simplificam tanto: presentes, datas, “família nova”, ciúmes, brigas... Daria para falar mais, porém esse não é o meu foco agora.
A última parte dessa “doença” é a única inevitável, como minha mãe sempre fala: “a única verdade que se sabe é que iremos morrer”. Inusitada e sorrateira, a morte mesmo sendo triste é tão importante quanto as outras.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Histórias Se Repetem

Sim, faz muito tempo que eu não posto rs quebrei dois dedos e, acreditem, é muito ruim usar o computador com uma mão enfaixada. Ah, e esqueci de comentar, agora o blog tem página no facebook! Yay! Clica aqui e curte lá ;)

A qualquer hora do dia
Se paro por um minuto
Minha mente viaja, caminha
Lentamente ao encontro de algo
Que se pudesse, esqueceria.

Já sofri, chorei demais
Por alguém que não merecia
Porque sequer sabia de tudo,
Sacrifícios que por ele eu fazia.

Não queria repetir as queixas
Que muitos fazem de seus antigos amores
Mas histórias se repetem,
Assim como nossas dores.