quarta-feira, 5 de março de 2014

Segredos, Conflitos e Amor - Cap. 40

Siiim, SCA vai ter continuação! Pela primeira vez a pausa - muito - prolongada nas postagens não foi culpa minha, eu estava sem computador, sem internet, enfim. Mas agora vou cumprir com meu dever: postar!

            — Maria, quer ir lá em casa? Vou ficar sozinha a tarde toda e pensei em assistir um filme. Que tal?
            — Ah, valeu por me chamar Calina, mas to só o pó. Se eu fosse ver um filme, ia dormir nos cinco primeiros minutos! Chama o Sasha, ou o Rafa, eles com certeza aceitam.
            — Acho que não… o Sasha anda meio fechado, nem conversa direito, e o Rafa… melhor não.
            — Então a gente marca outro dia. Mas to indo, porque meus olhos mal ficam abertos!
            Quando chegou em casa, Maria foi logo jogando a mochila no sofá, e um papel todo dobrado caiu de dentro dela. Era o bilhete que Sasha tinha escrito uns quatro dias antes, mas que ela não tinha prestado muita atenção quando leu. Só se lembrava de que seu nome estava escrito bem grande no meio da folha com caneta vermelha. Assim que o abriu, seu coração parou por cinco segundos, e depois ficou apertado, angustiado. Em volta do nome, Sasha tinha escrito com canetinha preta “te amo” várias e várias vezes e feito corações vermelhos em volta de todos. Na parte de baixo da folha, a frase: “ser seu amigo não é fácil, tenho que fazer sacrifícios como esse só pra te agradar! Mas no fim vale a pena, porque quando preciso de dinheiro para o lanche você não pode me negar um favorzinho desses! Brincadeira… ah, só mais uma vez: TE AMO, amiga chata”. Uma lágrima escapou pelos olhos fechados de Maria.
            — Amiga, amiga… será que você não entende que eu não quero ser só sua amiga?
            Apertando o bilhete contra o peito, ela foi para a cozinha.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Ser Nerd é Pop... Será?

A vida nunca foi tão maravilhosa para aqueles chamados de “nerds” quanto é agora. Seus filmes, seus livros, séries, jogos favoritos e eles próprios nem podiam imaginar que um dia estariam em voga e seriam amados, não ridicularizados. Não ousavam sonhar em ter seu estereotipado estilo almejado e copiado ou em serem populares. Mas a vida dá voltas.
Antes, gostar, ser um grande conhecedor de Star Wars ou Star Trek fazia os outros te associarem com rapazes espinhentos, feios, usando óculos de “fundo de garrafa” e altamente antissociais. Hoje, é motivo de orgulho, é ser “cult”.
Óculos costumavam ser um empecilho. Agora são um acessório desejado por muitos. Saber química, matemática e, principalmente, física servia apenas para ter colegas de classe querendo copiar suas lições, hoje... Ainda serve para isso.
Mas a pergunta que ninguém quer responder é: de que adianta tudo isso se no fim os “nerds” continuam tendo a mesma importância que sempre tiveram? Ou seja, quase nenhuma?
Porque “nerd” é mais do que filmes e séries; é mais do que uma forma de se vestir. É gostar – e muito – de aprender, é ter um conhecimento extraordinário, é ter na ponta da língua aquilo que a maioria pena para lembrar, é ser quase uma enciclopédia ambulante – sem nenhum sentido pejorativo.
E, infelizmente, hoje não vale a pena ser inteligente. O que vale é ser esperto, saber a melhor forma de ganhar dinheiro fácil. Para receber uma bolsa de estudos nos EUA, não cobram mais QI, cobram um rostinho bonito. Dormir em cima de livros, cadernos, apostilas... para quê? Ser inteligente é tão cafona...

domingo, 29 de dezembro de 2013

Não é Medo do Vestibular

Gente, eu sei que me excedi um pouco no quesito drama, mas eu precisava desabafar um pouquinho hahaha E quero saber de quem já prestou vestibular: vocês também se sentiram assim?

Daqui a uma semana começa a segunda fase do vestibular mais famoso e mais amedrontador do país: Fuvest.  São três dias de sofrimento voluntário de mais de 30000 vestibulandos que sonham com uma vaga na USP. Eu estou incluída nesses milhares de “masoquistas”.
Assim como muita gente, comecei o processo pré-vestibular junto com o ensino médio, minha ansiedade se iniciou ainda em janeiro e passei este ano frequentando um cursinho que tomou praticamente todos os meus sábados do ano, onze horas por dia, e até alguns domingos. Porém, não posso dizer que me sinto pronta para superar os outros dois candidatos que disputam a mesma vaga que eu.   
Nas duas últimas semanas não houve um único dia em que eu não chorei de desespero, ou por não entender os conteúdos que estou revisando – e que já não tinha entendido antes – ou por medo de esquecer tudo durante as provas. Tá, eu sou dramática, tenho consciência disso. Mas, para ser sincera, eu não me importaria muito em prestar vestibular quantas vezes fossem necessárias. O “problema” é minha família. Meus pais, para ser mais precisa.
Sei que uma não-aprovação doeria muito mais neles do que em mim porque sei o quanto eles batalharam e se sacrificaram para me manter em uma escola particular por oito anos. Sei o tamanho da expectativa deles, construída por dezenas de boletins repletos de notas nove e dez. Sei que eles não querem que eu sofra o tanto que eles sofreram e que uma boa faculdade me ajudaria bastante nisso.
Agora sei que sempre ao me cobraram, de vez em quando com um pouco de exagero, meus pais queriam evitar que eu passasse pelo que estou passando, por esse desespero. Agora entendo os nãos em resposta aos pedidos para sair com meus amigos quando eu tinha compromissos relacionados aos estudos. Agora compreendo por que era terminantemente proibido faltar na escola. Agora meu maior medo não é não ver meu nome na lista de aprovados. É ver a decepção nos olhos das pessoas que mais amo, mesmo que me digam “na próxima você consegue”.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Não Sei Fazer Redação

O texto de hoje é resultado de uma sugestão do meu professor, que disse ter feito algo parecido quando criança. Devo ter sido a única da minha sala a acatar a sugestão, mas tudo bem hahaha

Já estou aqui há mais de meia hora e ainda não desenvolvi uma tese. Sim, porque hoje minhas redações não têm começo, têm - ou deveriam ter - tese. Ah, a vida do primário era tão fácil... bastava escrever uma historinha, com começo, meio e fim e a "tia" elogiava, achava aquele pedaço de papel com 15 linhas escritas uma maravilha! Agora me obrigam a fazer uma coisa que é impossível para mim: transmitir ideias, defender um ponto de vista e fazer os outros acreditarem nele. Pelo papel.
Eu. Não. Sei. Fazer. Redação. Não ganho uma discussão nem ao vivo, olhando para a pessoa, quanto mais sem saber quem ela é.
E não é falta de leitura da minha parte. Leio Poe, Wilde, Veríssimo, Machado, Drummond, Rowling e muitos outros. Mas obviamente há uma diferença entre nós. Eles provavelmente sabiam fazer uma redação quando frequentavam a escola. Boas redações, sobre assuntos relevantes. O máximo que arranco de minha caneta, e ainda assim, sob muita tortura (tanto dela quanto minha), é meia dúzia de linhas sobre "as minhas férias". Ou seja, muito menos do que as benditas vinte linhas exigidas.
Aliás, por que vinte linhas? Se o objetivo é transmitir ideias, uma ou duas linhas bastariam, quem quisesse saber mais que me procurasse. Duvida? Pois bem, eu acho que deveríamos parar de fazer redações, economizar papel e cortar menos árvores. Seria um mundo tão feliz...

sábado, 14 de dezembro de 2013

Segredos, Conflitos e Amor - Cap. 39

Gente, peço desculpas mais uma vez pela demora, mas minha vida tá meio corrida e bagunçada :/ Final de ensino médio não é mole, não, meu povo. Mas curtam aí!

     Mas toda a sua alegria acabou na hora do intervalo. Rafael tinha chegado na segunda aula e não tinha trocado uma única palavra com ninguém até aquela hora. Enquanto saíam da sala, ele cumprimentou Miguel, Calina, Sasha, Fumio e quando foi falar com Maria, ele desviou do beijo no rosto para um selinho. Alice ficou boquiaberta. Sasha disparou como um raio para o banheiro. Ninguém mais além deles viu a cena.
            — Rafa, olha… aquilo que aconteceu ontem… não era pra ter acontecido.
            — Se não era pra ter acontecido, por que aconteceu então? — ele tentou tocar o rosto de Maria, mas ela virou para o lado. Ele riu pelo nariz — Você ta brava comigo, né?
            — Não, não to. E nem pretendo ficar. É por isso que eu quero que a gente esqueça o que aconteceu. Não quero estragar nossa amizade.
            — E quem disse que isso vai acontecer?
            — Eu. Eu to dizendo.
            — Ta, tudo bem. Prefiro continuar por perto, mesmo que seja só como amigo. Me desculpa.
            — Não tem o que desculpar. Mas se a gente enrolar muito aqui na sala, vamos ficar passando fome o resto do dia, porque vão esvaziar a cantina!
            “Perdi a Maria. Justo para o Rafael, um dos meus melhores amigos. Eu devia ter feito alguma coisa.”
            Sasha estava com as mãos apoiadas na pia, se olhando fixamente no espelho. Não podia acreditar no que tinha visto. Mas ele estava decidido a não comentar nada com nenhum dos dois. E também decidiu se afastar de Maria. Seria melhor assim.
         A discussão de Maria e Alice continuou sendo assunto nos dois dias seguintes e por mais que tentasse ignorar, aquilo estava começando a irritar Maria, e muito. Para piorar a situação, Sasha não conversava mais com ela e mal dava bom dia e tchau; e ela não tinha a mínima ideia do que tinha acontecido para ele ficar assim. Alice sempre dava aquele sorrisinho ridículo e dizia “cadê a ameaça agora?” quando passava por ela. E, claro, Rafael também estava diferente. Parecia que o universo conspirava contra Maria. Pelo menos já era sexta-feira e ela estava indo para casa.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Todas São Plus Size

Robyn Lawley
Quem me conhece pessoalmente pode nem desconfiar - e até duvidar - do fato de que eu adoro moda. Sério. Sigo pelo menos uns cinco blogs de moda, beleza e afins. Posso não colocar muito do que vejo em prática, mas acho que se trata de um universo fascinante. Cores, tecidos, cortes, texturas, enfim. Mas não é preciso ter o mínimo contato com moda para saber que as mulheres mais gordinhas costumam ser excluídas desse tal universo.
Foi por esse motivo que surgiu o movimento plus size. Não são quilos extras que vão impedir as mulheres de se vestir bem, assim como não são eles que as tornam menos bonitas do que as moças magras. Infelizmente, aqui no Brasil a ideia do plus size ainda está em processo de difusão e são poucas lojas que têm opções variadas de roupas para esse público, e não somente as costumeiras peças com cara de "tia".
Mas basta fuçar um pouquinho a internet para achar ótimos blogs que dão dicas para as gordinhas de como se vestir maravilhosamente bem, e o Grandes Mulheres - que acompanho há bastante tempo - é um deles. E foi por ele que fiquei sabendo de um assunto meio polêmico.
Semana passada a revista Cosmopolitan fez um ensaio fotográfico de moda praia supostamente plus size. Por que supostamente? A modelo, Robyn Lawley, é, sim, uma modelo plus size. MODELO. E considerando que as modelos "normais" vestem de 34 a 36, no máximo 38, uma mulher como a Robyn tem realmente quilos a mais, e gostosura a mais também, diga-se de passagem. Mas não para algumas gordinhas, que se sentiram insultadas. Afinal, se Robyn é gorda, elas seriam o quê? (e confesso que me fiz a mesma pergunta)
O sururu começou aí. A maioria das pessoas concordava que não tinha cabimento enquadrá-la no plus size. Ela e todas as outras moças com corpos assim. Porém, bastante gente dizia que se isso não fosse feito, tais moças seriam mais uma vez excluídas, por não se encaixarem em nenhum dos dois modelos, no de magreza ou de gordurinhas.
Mas pensem comigo: será que um rótulo importa tanto assim? É claro que é importante as gordinhas terem um espaço garantido em um território antes habitado apenas por mulheres macérrimas, só que daí a esquentar a cabeça com uma designação para passarelas é um pouco demais.
A curiosidade me fez descobrir que o termo plus size é válido para mulheres que vestem a partir do 40/42. Eu pergunto: quantas mulheres, não no mundo, podemos reduzir a escala apenas ao Brasil, vestem de 34 a 38? Com certeza um número bem abaixo da metade da população feminina, não? Então... somos todas plus size? Todas vestimos um "tamanho maior" que o padrão? Sendo que nós somos o padrão? Até quando as mulheres serão levadas a acreditar que, por terem corpos como o da Robyn, são gordas?
E é engraçado ver algumas situações do cotidiano. Eu sou personagem de muitas delas, e uma em especial me faz rir hoje, porém, na época, fez com que eu me sentisse meio deprimida por não ser magricelinha. Durante uma conversa com duas amigas, ambas pequenininhas e bem magras, o assunto "numeração do jeans" veio à tona. As duas vestiam 36, e eu, 42. O silêncio e as expressões delas só serviram para me fazer sentir vergonha. E foi assim que eu me senti por muitos anos, envergonhada por vestir 42 e, agora, 44. Até olhar bem para as duas e perceber que elas não tinham quadril, coxa, panturrilha. Tinham cambitos. E eu, modéstia à parte, tenho pernas que me rendem elogios de vez em quando e meu quadril é qualquer coisa menos estreito.
Se não sou plus size, ótimo; se sou, melhor ainda, agradeço por ser considerada do mesmo "grupo" de tantas mulheres lindas e, acima de tudo, autênticas.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Segredos, Conflitos e Amor - Cap. 38

            — Na sétima série ela teve, sei lá como explicar isso… uma crise de depressão. Eu nunca soube o motivo. Mas durante essa crise ela cortou o pulso esquerdo e só não cortou o direito também porque a mãe dela chegou na hora certa. Ela começou a fazer tratamento com psicólogo, mas depois de seis, sete meses ela parou. E no começo desse ano, que foi quando ela escreveu aquilo, ela fez a mesma bobagem. Só que quem a encontrou dessa vez fui eu. Depois disso ela me contou o que já tinha acontecido, mas não o porquê.
            Calina estava em choque, nunca imaginaria que Maria tinha feito uma coisa dessas, querer tirar a própria vida… logo ela, que sempre parecia tão feliz…
            — Não comenta nada com ela, ta? Já foi difícil pra ela passar por isso duas vezes, e ficar lembrando não ajuda em nada. — Calina fez que sim com a cabeça — Agora vamos voltar porque o sinal bate daqui a pouco.
            Os dois chegaram na mesma hora que Maria, que era seguida pelos olhares de todos. Alguns ainda comentavam bem alto:
            — É difícil ter que estudar na mesma escola que gente baixa, sem nível e sem educação…
            Maria simplesmente olhava com expressão de divertimento e comentava com Calina:
            — Eles que ficam gritando e eu que não tenho educação?
            O assunto daquele dia era a discussão do dia anterior. Maria era apontada como a errada da história, quem tinha começado sem motivo algum, mas ela simplesmente se fingia de surda. Não deixava os comentários alterarem seu bom humor. Alice, por outro lado, era vista como a vítima pela maioria, pois pouquíssimas pessoas tinham ouvido o que ela tinha dito de Maria. Mas, sendo adepta do “falem bem ou falem mal, mas falem de mim” não se incomodava, pelo contrário, estava adorando a situação.