terça-feira, 9 de julho de 2013

Segredos, Conflitos e Amor - Cap. 34

            — É, sei sim. Agora você vai começar com aquele discurso: “eu, a Ca e o Sasha só fazemos isso porque te amamos” e blábláblá. Nem começa.
            — Eu to falando sério.
            — E eu não to? Ah, não me deixa mais irritada do que a Alice deixou.
            Antes de começar, ele deu uma risada.
            — Eu to querendo te dizer que eu te amo. De verdade.
            Completamente sem reação, tudo o que Maria fez foi continuar olhando para aqueles olhos cor de mel que pareciam estar lendo todos os seus pensamentos naquele momento. Como se quisesse acordar de um pesadelo, ela fechou os olhos e sacudiu a cabeça para os lados.
            — Rafa, para com essa brincadeira.
            — Não é brincadeira… — aos poucos seu rosto se aproximava do dela. — E eu sei que você já percebeu isso lá na escola…
        E os dois se beijaram. Maria não se afastou e não relutou em nenhum momento. Mas ela não conseguia entender o motivo de só pensar em Sasha naquela hora, de querer que aquele beijo fosse com ele. Os dois eram só amigos…
         Depois de um tempo que pareceu uma eternidade para ela e uma fração de segundo para Rafael, Maria se soltou do abraço dele e foi correndo até o portão. Já do lado de dentro, ela deu um sorriso tímido e com certo esforço, sua voz saiu:
            — Obrigada por se preocupar comigo…
       E assim ela entrou, meio desnorteada, sem saber se o seu coração acelerado indicava alegria, desespero ou mesmo medo de algo que não estava nem um pouco claro em sua mente.
          Rafael, ainda parado em frente ao portão, se sentia tão feliz que poderia sair pulando pela rua. Sua vontade era de ir até a casa de Sasha e lhe contar o que tinha acontecido, de dizer: “eu consegui. Conquistei a Maria antes de você.” Mas isso pareceu muito infantil. Ele simplesmente deu meia volta e foi embora.  

domingo, 7 de julho de 2013

Aula de Inglês

Jana chegou cansada em casa, e mal trancou a porta, já foi jogando bolsa e blusa no sofá, tirando o All Star do pé de qualquer jeito e se arrastou até o quarto, onde se jogou na cama.
— Ainda bem que a mamãe não ta em casa hoje… não vai me obrigar a levantar e ir almoçar.
O celular tocou.
— 6449… não to reconhecendo… quem será? Alô?
— Jana?
— Quem é?
— Ah, maus aê.  É o Daniel, do inglês.
Um arrepio percorreu a espinha de Janaína.
— Ahn, oi. Tudo bem com você?
— Tudo, e você?
— Bem.
— Jana, você sabe me dizer qual é a lição que a gente tem que entregar hoje?
— Unidade cinco, se não me engano. Mais o texto.
— Putz, ferrou. Não comecei nenhum dos dois e não entendi nada da última unidade…
— Quer ajuda?
— Óbvio que sim!
— Você consegue chegar lá na escola daqui a quanto tempo?
— Mais ou menos uma hora.
— Me encontra lá que te sou umas dicas pra lição, pode ser?
— Opa, partindo aqui. Beijos, te vejo daqui a pouco.
Ela desligou o celular e apertou o travesseiro contra o rosto.
— Ah, o que eu não faço por eles…
Levantou, calçou o tênis, pegou blusa, bolsa e uma bolacha para comer no caminho. Acabou chegando quinze minutos antes de Daniel.
— Nossa, você é rápida, hein? Achei que eu ainda ia ter tempo pra dar uma olhadinha no livro, sabe, só pra não fazer feio, pra você não achar que eu sou um completo ignorante. — ele riu.
— Não precisa me esconder uma coisa que eu já sei! Tá, brincadeiras a parte, o que você realmente não entendeu? E por favor, não diga ‘tudo’!
— Deixa eu ver… acho que principalmente aquele negócio de present perfect. Tipo, não peguei a estrutura, quando que eu uso isso, e por aí vai.
— Acho que seu caso tem solução, mas pra começar, não seria melhor se você sentasse?
— He, he, verdade. — ele puxou uma cadeira para perto de Janaína.
— Então, a estrutura não tem muito segredo, você vai usar have, ou has, depende da pessoa, mais o verbo no passado, se for regular. Se for irregular, você vai usar o past participle.
— Aquele da terceira coluna? — Daniel aproximou mais a cadeira.
— É, a terceira coluna que por acaso se chama past participle.
— Tá, parece que meu cérebro tá começando a entender. Então, sei lá, pra dar um exemplo, posso falar “I have swept my whole house” ou “She has fallen in love with the wrong guy”?
—Se eu não te conhecesse, ia dizer que você aprende muito rápido! Ou, quem sabe, que me chamou aqui só pra ficar olhando pra minha cara!
— É, né, quem sabe…
— Ahn, mas voltando à explicação, você também não entendeu quando usar, né?
— Isso. — mais uma vez, ele puxou a cadeira. Mas dessa vez ela encostou na cadeira de Janaína; esta, cada vez mais vermelha.
— Basicamente, é quando a frase não tem indicação de tempo, porque a ação é mais importante do que quando ela aconteceu. Ou também quando acabou de acontecer.
— Ah, é, tipo “I have just taken a shower”.
—Eu acho que eu vou embora! Você tá quase sabendo mais do que eu!
— Não, não vai não. Você é uma professora muito boa… — a mão dele ficou em cima da dela.
— Se isso for um elogio, eu agradeço.
— Ué, e tem como não ser?
— Vindo de você, qualquer coisa é possível!
— Tá, isso não pareceu elogio!
— Ui, ele se sentiu ofendido…
— Não muito. Sua voz melhora até uma ofensa.
— Daniel…
— Hum?
— Me desculpa ser, sei lá, direta demais, mas por acaso você tá dando em cima de mim?
Daniel arqueou a sobrancelha direita e sorriu.
— Achei que você nunca ia perceber… — ele se inclinou em direção a Janaína, que recuou um pouco.
— Você tá louco? E se passar alguém aqui?
— Tá todo mundo em aula. E não é segredo que a sala de estudos é mais vazia do que câmara de vácuo.
Janaína riu da piada patética e Daniel continuava se aproximando. Para não cair, ela já não podia mais se afastar, então tentava manter uma distância entre os dois colocando as mãos nos ombros dele, “empurrando”. Quando ela estava prestes a ceder, os lábios dos dois quase se tocando, uma terceira voz encheu a sala.
— Daniel!
Ele se virou para a porta, branco como lençol, com os olhos arregalados.
— Heloísa?!
— Eu… eu não acredito!
— Não, amor, espera…
— Amor?! Você tem namorada?
— Ele tinha namorada! Não quero mais nem olhar pra cara desse cretino!
Heloísa saiu pisando duro. Janaína estava boquiaberta e Daniel estacou no meio da sala.
— Idiota. — ela jogou tudo dentro da bolsa, que pendurou no ombro esquerdo.
— Jana…
— Sai da minha frente.
Ela deu um empurrão no garoto, que se desequilibrou e se apoiou na mesa. Janaína bateu na sala onde sua professora estava dando aula, entregou o que precisava e disse que não poderia ficar. Já na rua, uma depois da outra as lágrimas caíam.
— Idiota… idiota… eu sou muito idiota.

terça-feira, 2 de julho de 2013

O Português Agradece

Na minha época de escola eu era o típico CDF. Nerd, em termos atuais. Alguns anos atrás (desnecessário mencionar quantos exatamente), CDFs não eram esses caras queridinhos de hoje, que de tão amados ganharam série próprias na TV americana. CDF era aquele cara sentado na primeira carteira, com notas excelentes, pelo qual qualquer professor cairia de amores. Era o “engomadinho”, que gostava de tudo na mais perfeita ordem. Pois bem, eu era assim.
Hoje, analisando meu eu daquela época, chego à conclusão de que provavelmente eu tinha TOC, acompanhado de chatice aguda. Tenho pena de meus amigos, e ao mesmo tempo admiração imensurável. Eu era, e continuo sendo, insuportável; passar certo tempo ao meu lado não é para qualquer um. Ouvi da minha mãe que eu era tão chato que ela não sabia como pessoas ainda se aproximavam de mim. Carrego esta dúvida até hoje.
Agora que já apresentei meu defeito, saio em minha defesa: me chamam chato porque tenho mania de corrigir as pessoas. Se alguém diz “cardaço”, corrijo sutilmente, juro. “Largatixa”, “câmera dos deputados”, “iorgute”… Dou uma de joão-sem-braço e corrijo a palavra em minha resposta, porque gostaria de ser corrigido se falasse algo errado.
Imagine a situação: você e a garota por quem é apaixonado, em um diálogo entusiasmado quando você solta um maldito “quando eu era di menor” (você não sabe o quanto me dói escrever isso…). Ela te olha estranho, sorri amarelo e fica atenta a qualquer outro absurdo que saia da sua boca. E não venha me dizer que se ela realmente gostar de você, um “pequeno deslize” não fará diferença. Te garanto que seu conceito com a moça cairá alguns pontinhos.
E se o exemplo do encontro não foi o suficiente para te encorajar a falar corretamente, aqui vai um que fará isso. Você, na entrevista do emprego dos seus sonhos, quando o entrevistador derruba algumas coisas da mesa. Você o ajuda a juntá-las e entrega um bloquinho para ele, com as seguintes palavras: “sua cardineta.”. Esqueça o cargo, amigo. Levante-se e vá para casa. Ninguém quer a imagem de sua empresa associada a alguém que fala “cardineta”.
Os absurdos não param por aí. Ainda temos o clássico “estou soado” – você por acaso é um sino para soar? Não? Então você sua, com “u” mesmo. Já ouvi “penicite”, ao invés de “apendicite”; “ededron”, “encharpe”, “cristal esvairóvski”… (é Swarovski, por favor. Você não gostaria que errassem seu nome, não é?)
Não me importo muito com os pleonasmos como “fato real”, “elo de ligação”, “cego dos olhos” porque nem eu escapo de alguns deles (hoje mesmo soltei um “certeza absoluta”). Mas isso não os torna menos desagradáveis.

Não fale errado só porque todos o fazem. Está mais do que na hora de se redimir com a língua que aceitou tantas agressões ao longo de anos. O Português agradece.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Segredos, Conflitos e Amor - Cap. 33

            — Eu quero sim, mas antes só umas coisinhas: se você me acha feia ou bonita, não me importa, pelo menos eu não sou falsa como você. E esse “pouquinho, mas muito pouquinho mesmo” de inteligência me garante que eu não fique pensando só em maquiagem, garotos e roupinhas novas de grife, que eu use meu cérebro pra coisas mais relevantes do que isso e que eu não deixe a prova de Física em branco e depois fique dando piti na sala por causa disso.
            Maria mal terminou a frase e Alice, já vermelha de ódio e bufando, lhe deu um tapa no rosto, que seria devolvido se Rafael e Sasha não tivessem ficado entre as duas e empurrado cada uma para um lado, com uma distância enorme entre elas.
            — Rafa, por tudo o que é mais sagrado, me deixa voltar lá e acabar com ela, me solta!
            — Nem pensar, você fica aqui comigo até se acalmar ou até a Alice ir embora.
            Por mais que tentasse, Maria não tinha força suficiente para fazer Rafael soltar seus pulsos. Ele tinha colocado a garota com as costas contra a parede e estava na sua frente, exatamente para evitar que ela escapasse. Depois de espernear muito, ela esvaziou os pulmões e deixou os ombros caírem. E mesmo assim, Rafael continuava segurando-a firme.
            — Posso saber o que foi aquilo Alice?
            — Vai perguntar pra Maria, quem começou com a baixaria foi ela. Mas… por que você resolveu vir pro lado de cá, ao invés de ir pra lá com a Dona Coisinha?
            Sasha deu um suspiro de impaciência.
            — Eu não resolvi nada, simplesmente empurrei a primeira de vocês duas que entrou na minha frente.
            — Tem certeza de que não tem nenhuma preferência envolvida nisso? — o ar debochado dela deu lugar a um sorriso maroto.
            — Olha Alice, me esquece. Pode fingir que não me conhece e nem bom dia precisa dizer, tudo bem? To indo embora.
            Sem pensar duas vezes, ele virou as costas e saiu, inconformado com o que tinha visto e principalmente ouvido. Sua indignação era tanta que nem se lembrou de perguntar se Maria iria embora com ele.
            — Pronto Rafa, a Alice já foi embora. Posso ir também?
            — Cadê o Sasha?
            — Pra quê?
            — Pra ele ir com você até sua casa, tenho certeza de que tanto eu como ele queremos que você vá direto pra lá, sem ir procurar ninguém.
            — Ele já foi embora, acabei de ver… deixa eu ir embora também…
            Rafael olhou para os lados, como se procurasse uma solução.
            — Nesse caso eu vou com você e nem pensa em reclamar. Vamos.
            Maria ficou emburrada e só abriu a boca no portão de casa.
            — Você é um chato, sabia?

            — Um chato que te ama. — Essa frase saiu sem querer, mas pareceu que Maria não percebeu o que realmente queria dizer.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Nós e a Tecnologia


No último fim de semana, acordei, tomei café e fui direto para o computador, usar a internet. Coloquei o plug na tomada, liguei o estabilizador, apertei o botãozinho do gabinete, vi o monitor acender e, enquanto esperava o PC inicializar, fui pegar um copo de suco na cozinha. Até aí, nada de extraordinário. Voltei e tentei conectar a internet. Meu estresse começou aí. Eu realmente só tentei, porque conectar que é bom, nada.
A janela “Estabelecendo conexão por miniporta WAN (PPPOE)” abria, mas depois de longos segundos aparecia bem no meio da tela “Erro 678: o computador remoto não responde”. Pacientemente, cliquei em “Rediscar”. Fiz isso mais uma, duas, cinco, oito vezes, até que, com o sangue fervendo, resolvi desligar o computador, desconectar e reconectar todos os cabos do modem. Se adiantou? Não.
O que quero mostrar contando tudo isso é o vício que temos em tecnologia, em estarmos o tempo todo conectados. Gastei quase uma hora inteira do meu dia tentando ligar uma coisa sem a qual eu deveria viver perfeitamente bem. Afinal, o que há de tão importante nela? Facebook? Jogos? YouTube? Se eu ao menos trabalhasse, poderia dizer que precisava verificar meus e-mails, talvez. Mas na realidade eu queria me conectar pelo simples hábito – além do fato que, se estou pagando pela prestação de um serviço, devo recebê-lo, não?
Outro dia, esqueci meu celular na escola e só fui recebê-lo na manhã do dia seguinte, ou seja, passei 20 horas sem ele. E não senti a menor falta de acender sua tela a cada meia hora para saber se eu tinha uma nova mensagem, alguma perdida ou de ficar apertando botõezinhos indefinidamente, jogando Block’d. Mas sei que sou uma exceção à regra, que a maioria das pessoas sentiria no mínimo um desconforto diante dessa situação.
E nosso vício vai muito além de computadores e celulares: videogames, iPods, iPads, microondas, geladeiras, máquinas de lavar e até secadores de cabelo e chapinhas.
Nas palavras de Einstein, “temo o dia em que a tecnologia se sobreponha à humanidade. Então o mundo terá uma geração de idiotas”.

Prato de Comida


Naquele dia, Márcio acordou radiante; era o primeiro dia no emprego novo, depois de três meses desempregado, preocupado com o sustento do seu garoto, sua caçula e sua mulher. Estela trabalhava de manicure e cabeleireira, mas não ganhava o suficiente para manter a casa. O marido havia conseguido aquela vaga na siderúrgica em ótima hora. Plano de saúde, carteira assinada e bom salário. Era tudo o que pediam a Deus.
O ônibus da empresa passaria no ponto as quinze para as sete. Dez minutos antes, Márcio já o estava esperando, parado, sozinho na rua. Quando o barulho do motor despontou na rua deserta, o coração disparou. Ele entrou, meia dúzia de peões já estavam sentados, dormindo. Márcio fechou os olhos e tentou fazer o mesmo, mas foi impossível. Muito simples, assim como ele, todos os operários que entravam no ônibus o cumprimentavam, e Valdir fez questão de se sentar ao seu lado. Se apresentou e disse para pedir ajuda sempre que precisasse. Apesar de não demonstrar, Márcio suspirou aliviado.
No período da manhã não teve nenhuma tarefa propriamente dita. Seu supervisor o orientou com relação às suas tarefas e deixou implícitas algumas ideias da hierarquia ali, para quem trabalhava em chão de fábrica. Todos eram peões, mas anos de casa faziam diferença de vez em quando.
Hora do almoço. Márcio entrou no refeitório sem acreditar no que via; executivos engravatados, secretárias com roupas alinhadas, faxineiras, operários, todos juntos, na mesma fila esperando para pegar a mesma comida. Eram tratados como iguais, afinal. Com o prato já cheio, saiu da fila e viu Valdir acenando, indicando um lugar vazio na mesa.
—Nossa Senhora, garoto! — Valdir arregalou os olhos para o prato de Márcio, que ruborizou — Vai com calma, podemos repetir se quisermos.
— É que… — ele tomou um gole de suco para ajudar a comida a descer — preciso comer aqui, encher o bucho. Tenho que deixar a comida de casa para os meus pequenos.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Segredos, Conflitos e Amor - Cap. 32


Não, o blog não foi desativado! hahaha Peço mil perdões por esse tempo todo longe, mas agora que estou no 3° ano do médio a vida é pura correria! Vou tentar manter uma certa regularidade nas postagens, mas não posso garantir nada :/ aproveitem o texto novo!

            — Eu juro que não sei o que o Rafa e o Sasha, dois caras tão lindos veem na horrorosa da Maria Ishii. Gorda, desengonçada, aquela cara de boba alegre e metida a quem sabe de muita coisa.
            O sangue dela ferveu nas veias e por mais que quisesse se controlar, ela não iria engolir tamanho desaforo. Aproveitando que já tinham saído da escola, ela puxou Alice pela blusa, ficando frente a frente com ela. Quando percebeu o que estava acontecendo, Alice ficou branca e principalmente desesperada. Mas não perdeu a pose e muito menos a falsidade.
            — Que é isso? Ta ficando louca, variando das ideias?
            Isso só serviu para irritar Maria ainda mais.
            — Eu acho que quem precisaria de uma internação no manicômio aqui seria você, porque parece que a sua noção de perigo foi pro espaço. Eu sou legal e paciente com quem merece e ainda assim até a página dois.
            Uma rodinha já tinha se formado em volta das duas, mas ninguém ali tinha a intenção de apagar o incêndio se fosse necessário.
            — Hum, que interessante, ameaça. — Alice não tirava aquele sorriso debochado do rosto por nada no mundo. — Que medo. Principalmente com esse monstro na minha frente. Aliás, até a sua amiguinha Calina já percebeu que você é assim, sabia?
            — É, ela me contou, ontem mesmo, tudo o que pensa de mim. E a gente já resolveu o que precisava. O meu assunto pendente agora é com você. Por que não aproveita que eu to aqui na sua frente e me fala tudo o que pensa de mim?
            — Talvez seja bom mesmo, assim você ouve pela primeira vez o que todos pensam a seu respeito, mas ninguém tem coragem de falar. Bem, que beleza não é o seu forte você já deve saber, se existe algum espelho na sua casa. — “Deixa ela terminar de falar.” Era tudo o que Maria pensava. — E talvez não seja má ideia você se tocar de que se não fosse esse pouquinho, mas muito pouquinho mesmo, de esperteza a mais, você não teria nenhum amigo, já que quem se aproxima de você é por puro interesse. Tem muito mais, se quiser realmente escutar é só dizer.
            Era duro ouvir justo dela o que Maria já pensava sem a influência de ninguém, mas ela tinha que se controlar.